Novas mídias, novo consumidor
Postado por: Carol Paschoal em Propaganda Digital, SEM (Search Engine Marketing), Tendências de mercadoA maioria das agências de publicidade ainda não está preparada para as novas mídias. Desconhecem as possibilidades que esses meios oferecem e estão demorando demais a adaptar-se ao novo cenário da comunicação. A Internet ainda é vista como meio complementar, onde exerce um papel tímido no planejamento de mídia; As ações, muitas vezes, restringem-se a hotsites para a campanha e não são exatamente planejados como deveriam, em função da estratégia. Muitos profissionais de comunicação ignoram o novo contexto cultural em que nos inserimos, onde o consumidor mudou a forma de consumir informação.
O grande erro, principalmente para os profissionais de comunicação, está em não conseguir perceber que os novos meios apenas revelam valores e necessidades já presentes na sociedade. O surgimento de serviços como delivery, educação a distância, e-commerce, bankline e guias virtuais de cidades são, na verdade, sintomas de um processo de encasulamento causado principalmente pelas dificuldades de locomoção e segurança nas grandes cidades, e nada tem a ver com um processo de alienação e comodismo. O inchaço das megalópoles traz vários tipos de problemas sociais, que por consequência trazem estes serviços como solução.
Na verdade, o que existe é a necessidade de se comunicar em uma esfera que os meios de comunicação tradicionais não são mais capazes de atender, ao menos isoladamente. Devemos considerar o fato de que nossas vidas, nossas necessidades, nossos valores como consumidores e como pessoas mudam, a utilização exclusiva das ferramentas de comunicação tradicionais não é mais suficiente para compreender o consumidor e comunicar-se com ele de forma eficaz, é preciso integrar novas ferramentas para isso.
A utilização das novas mídias em benefício da comunicação se dá por permitir conhecer de perto o consumidor, interagir com ele, saber o que ele deseja e o que ele não gosta e reagir a isso. Não sustento a idéia de que os meios tradicionais irão morrer ou que devem ser abandonados, mas que o uso integrado desses meios pode potencializar a comunicação, tornando-a mais eficaz. As novas mídias, neste caso, encaixam-se no conceito de tecnologia disruptiva. Segundo Clayton Christensen, em seu livro O Dilema da Informação (2001), há dois tipos de tecnologia, a evolutiva e a disruptiva. A evolutiva seria um aperfeiçoamento da tecnologia atual, sempre melhorando. Já as tecnologias disruptivas evoluem muito mais rápido e podem reconfigurar mercados ou mudar as formas como as coisas são feitas. O problema é que muitas empresas não percebem o potencial da tecnologia disruptiva quando ela nasce, porque no início ainda é ruim e pouco lucrativa em relação à atual, precisando de investimento à longo prazo. O que acontece é que, por evoluírem muito rapidamente, as tecnologias disruptivas, em algum momento, vão passar a tecnologia atual e muitas empresas não vão ter tempo de se adequar e não conseguirão permanecer como líderes. Na comunicação, podemos observar que o crescimento dos meios de massa é muito inferior em relação ao crescimento da internet, tv digital e dos celulares, que estão mais preparados para o novo consumidor.
Diariamente, somos impactados pelos meios de comunicação com inúmeras mensagens, que gravam em nossa memória um “dicionário” de desejos que podem satisfazer nossas necessidades. Os meios de comunicação tradicionais sempre foram uma forma de comunicação de mão única mas, hoje, com os blogs (muito bons para estabelecer canal de comunicação entre a empresa e o consumidor) e ferramentas de busca como o google, que revolucionaram a forma de consumir conteúdo, o consumidor pode buscar informações sobre produtos e serviços anunciados, podendo encontrar divergências sobre o que é dito em campanha ou podem encontrar informações sobre a concorrência e acabarem por tomar a decisão em favor desta. O consumidor está buscando por produtos e serviços nas ferramentas de busca e muitas empresas estão perdendo oportunidades. Dentre os novos meios digitais, as ferramentas de busca são uma forte tendência da comunicação, sendo o meio menos intrusivo para se chegar ao consumidor, onde sua atenção está totalmente voltada para o serviço/produto que procura, estando totalmente aberto à mensagem e, em tempos onde a competição é pela atração e não mais da atenção, podemos notar o poder das ações em ferramentas de busca. É importante para uma organização estar atento à possibilidades abertas pelas novas mídias, visto que o consumidor está inserido nesse novo contexto e agora reage à mensagem.
Nas redes sociais, pessoas com interesses comuns se agrupam e nesses espaços a opinião pública torna-se perceptível e ganha enorme força, tornando ainda mais necessária a atenção das empresas em relação ao que é dito sobre seus produtos/serviços no ciberspaço, visto que o poder de manipulação das mídias de massa vem perdendo sua força por causa da Internet, onde não adianta dizer o que seu produto não cumpre.
Segundo Cris Rother (Sócia-Diretora de Mídia da LOV, agência de soluções digitais e interativas), quando analisamos algumas informações, percebemos que os consumidores mudaram, amadureceram e que não querem mais somente ser atraídos por uma campanha, site ou peça, mas sim colaborar, se entreter e opinar sobre tudo. Esperam que o escutem e preencham suas expectativas sobre um produto ou serviço, que lhe ofereçam muito mais, além daquilo que ele já esperava e do estava pronto para não esperar.
É bom deixar claro que se as organizações não abrirem espaços para os consumidores se expressarem de alguma forma, eles vão buscar outras formas de se expressar, como em blogs. Assim, uma empresa deixa de manter um relacionamento com o cliente, ouvindo o que ele tem a dizer, que pode trazer críticas construtivas, ajudar a empresa a evoluir, como também deixa de receber elogios e sentimentos positivos, que seriam vistos por outros clientes, trazendo maior valor.

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